Iniciantes vs Profissionais

ALTER EGO
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Abstract Elements v1
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Qual o seu valor e respeito no mercado?

Esse é um dos principais assuntos que venho tratando desde 2012. Uma pergunta frequente que está sempre em meus hangouts: quanto devo cobrar por um trabalho?

Quero colocar em primeiro que essa é uma opinião minha, estou falando por mim e pelo que tenho vivenciado e observado ao longos dos anos desde que comecei minha vida profissional aos 17 anos como DJ e aos 25 no mercado de design gráfico.

A internet ajudou muito a propagar os profissionais liberais da mesma forma que ajudou a criar novos profissionais em pouco tempo. Hoje, a dinâmica de estudo está muito mais simples e ao alcance de todos, fazendo com que uma pessoa passe de iniciante a profissional em tão pouco tempo.

A questão é: como posso chamar uma pessoa de profissional?

No meu ponto de vista, existem alguns pontos, no qual podemos chamar uma pessoa de profissional: ter o total comprometimento e respeito a um cliente, mas que não quer dizer que o cliente tenha sempre a razão porque não somos fastfood; cumprir prazos e manter um bom diálogo; se esforçar ao máximo para entregar o prometido, seja algo elaborado ou não.

Um iniciante pode ser chamado de profissional?

Sim, se ele apresentar as características acima, não vejo nenhum tipo de problema. O que diferencia ele de um profissional de longa data é a forma como executa todo o processo, desde o atendimento ao cliente com mais segurança até o momento de lidar com uma rejeição de um projeto não aprovado, no qual o iniciante, por não ter uma grande experiência, acaba desanimando por não saber ainda lidar com esse tipo de situação.

Me preocupei muito em escrever esse texto para que eu consiga transparecer melhor as minhas ideias e por isso a ordem na qual o texto se coloca tem total influência de interpretação.

Vou começar falando sobre o valor de um profissional, seja ele valor em dinheiro, valor de mercado e ética.

Tendo em vista um profissional com bastante experiência no mercado com mais de 15 anos de profissão, em grande maioria são casados ou moram sozinhos e isso faz elevar suas despesas sendo um fator importante que onere seus trabalhos. Um iniciante com 30 anos também terá essas despesas que também será um fator a ser colocado. O profissional carrega uma bagagem em seu curriculum, horas e horas de trabalho, stress, felicidades, decepções e acima de tudo, experiência por vivência. O profissional com anos de profissão, em um momento da sua vida foi iniciante, por vez, teve seu valor de mercado muito menor, no qual vou citar a frente.

Para entender melhor a diferença entre um iniciante e um profissional, vale olhar para sua EVOLUÇÃO em todos os tópicos citados. Sim, faz toda a diferença você saber lidar com um NÃO de um projeto recusado porque na maioria das vezes um iniciante não sabe cobrar por esse tipo de situação que envolve horas trabalhadas. Um exemplo: um cliente pede para criar um logotipo, um profissional cobra 2.000,00 reais. Nesse valor já está incluso algumas alterações e até mesmo refazer 2 ou 3 opções; já o iniciante, por não ter vivenciado esse tipo de situação, acaba cobrando 300 reais e por falta de experiência ele acaba achando que o cliente tem que aprovar de primeira o projeto. Caso isso não aconteça, ele perderá mais tempo para produzir outra que acaba onerando em suas despesas, tirando mais tempo para executar outros projetos.

Levar em conta o aluguel da sua casa (home office), escritório, luz, água, internet e outras despesas é um fator para o profissional ter um valor de mercado maior. Mas o iniciante também? Sim, mas em 90% dos casos, os mesmos ainda moram com os pais e ainda não assumiram essas responsabilidades no qual virão a assumir ao longo dos anos.

Esse fator que vou citar agora é um ponto muito estratégico para mim: o RECONHECIMENTO dentro do mundo corporativo no qual ele atua, sendo ele qualquer segmento. Você criar uma marca ou uma arte para diversas pessoas ou empresas com alto poder de relevância, sem dúvida é um grande fator para que seu valor seja mais alto, dando como fato o próprio destaque que eles têm dentro do mercado. Exemplo: se você cria uma marca como a do Starbucks e ela se torna uma marca grande e “famosa”, na hora que um cliente vier fazer o orçamento com você o que mais vai contar é a grande marca em seu portfolio e não o seu valor em moeda, por isso o número de projetos executados e aprovados somam em seu valor.

Um ponto muito delicado que espero que não seja pejorativo é do profissional de longo tempo que se recusa ou tem um grande bloqueio para se atualizar, fazendo que seu valor não evolua com o tempo. Uma coisa que é certa: quem tem mais de 30 anos começou a experimentar o mundo do Design Gráfico da informática, no qual vieram diversos softwares para serem estudados. O grande problema que eu vejo hoje de um profissional é que alguns se recusam a se atualizar e defendem argumentos como: estou há muito tempo no mercado, não preciso disso, um 3D não faz diferença no que eu faço, não é todo cliente que precisa de uma animação de logotipo, e esse profissional está cada dia perdendo mercado. A pouco tempo conversando com meu tio que mora na Califórnia há 30 anos, ele me ensinou um novo termo: a geração que nasceu nos anos 2000 são chamados de MILLENNIUM, a geração que veio neste século. Eles já estudam esses programas normalmente, os programa fazem parte de uma rotina, é como um piloto de corrida antigo, se ele entrar em uma carro novo ele vai ficar totalmente perdido por causa de toda tecnologia, agora um piloto de 17 anos na fórmula 1, já está acostumado porque é o que ele vê todos os dias desde que nasceu.

 

Vamos falar do iniciante. Gosto de usar esse termo porque amador para mim é a pessoa que desobedece a regra do mundo corporativo. Sim, para ser um profissional é preciso respeitar as regras da sua área de atuação, mas isso é um outro ponto.

Partindo da premissa que um iniciante já nasce dentro da tecnologia atual, com programas mais avançados como Cinema 4D, Blender, Octane entre outros, ele possui uma grande vantagem por ter um MUNDO de conhecimento online e free no qual os profissionais mais antigos não tiveram – os mesmos que também insistem em afirmar que pagaram por seus estudos.

Um iniciante é sempre taxado como “PROSTITUTA” de mercado, aquele cara que cobra barato para ferrar profissionais e empresas e, ironicamente, os profissionais mais antigos repudiam a qualquer custo quando um iniciante tem um valor maior que o dele, mesmo ele tendo qualidade no que faz. Aí os mesmos voltam aos argumentos anteriores: tenho muito mais experiência e ele não pode cobrar mais do que eu.

Um iniciante pode cobrar um valor maior que um profissional?

Sim, se ele tiver a mesma capacidade de executar o que se propõe, isso tirando o fator “GOSTO” no qual cabe o cliente escolher o que mais lhe agrada.

Por que um iniciante tem um valor abaixo do mercado?

Porque ele não viveu ainda o suficiente para ter os pontos citados de um profissional.

Quando um profissional perde um trabalho para um iniciante por um valor mais alto a indignação vem com muita raiva, quando um profissional perde um trabalho para um iniciante com um valor mais baixo a raiva é a mesma, porque o profissional tende a não querer compreender a situação, ele apenas não aceita pelo simples argumento que tem experiência o suficiente.

O mundo dos iniciantes é bem complexo. Hoje estamos vivendo um mundo no qual ser autônomo é mais um fator que o sistema impõe do que de escolha própria.

Da mesma forma que o mundo atual oferece conteúdo de sobra sendo relevante ou não, pago ou free, ele também oferece distração de sobra, em consequência um desempenho menor nos estudos e na execução dos seus trabalhos.

Quando estou falando de iniciantes, coloco uma grande maioria entre 17 e 24 anos. Essa geração é afetada pelo mundo virtual no qual é muito fácil de expor e falei isso no post anterior. Link para entender sobre o assunto.

Qual valor devo cobrar?

Se você é iniciante, tenha como parâmetros as pessoas do seu convívio, pessoas que estejam no mercado e que tenham uma base para o seu segmento.

Um iniciante que mora em uma cidade do interior, na qual o custo de vida pode ser até 4x menor, o seu próprio estilo de vida pode ser mais simples ou não, não deve cobrar o mesmo que um iniciante que mora em grandes cidades, nas quais taxas e custo de vida são bem maiores. Uma pessoa tem uma renda familiar dos seus pais de 3 mil reais ao mês, para ela, 600 reais vai ser muito dinheiro, cobrar 2 mil reais por uma marca vai parecer surreal. Já o profissional que vive em uma cidade grande, na qual paga só de aluguel do studio 3 mil reais, ele não pode cobrar 500 reais para construir uma marca.

É preciso entender muito a necessidade e estilo de vida das pessoas antes de pré-julgá-las com seus valores. Claro que existem “prostitutas” no mercado, pessoas que cobram menos para conquistar o cliente, mas não conquista por méritos e sim por preço. E esses mesmos vão sofrer em curto prazo quando tentarem elevar seu preço, assunto para um outro post.

É um mundo complexo no qual estou tentando explicar, não estou dando razão a nenhum dos lados, mas é o tipo de discussão que vem incomodando os profissionais e iniciantes e por isso resolvi fazer esse “textão”.

Vou por algumas ressalvas que podem servir de dicas ou conselho para ambos, mas que fique claro que é o meu ponto de vista, jamais penso em denegrir alguém.

Para os profissionais antigos: busquem a evolução de acordo com a tendência, a tecnologia está presente e não tem como fugir! Claro que uma marca bem executada ainda pode ser feita a mão com um simples lápis, mas todo um conceito de marca e aplicações no mercado atual requer um vasto conhecimento em outros softwares. Voltar a estudar para entender e executar novas tarefas não vai te diminuir perante aos outros; esse estudo pode ser um novo combustível para sua carreira ou vida.

Para os iniciantes, a palavra CALMA é a mais recomendada, não importa o quanto você é bom fazendo uma coisa, não importa se você faz o melhor render ou a melhor manipulação de imagem, o que vai agregar valor em seus trabalhos é o tempo de mercado e conquistas. Por isso, tenham CALMA, um dia após o outro vai fazer com que você evolua, que tenha novos projetos em seu portfolio, CALMA na hora que o cliente não aprovar seu trabalho, ele apenas quer uma segunda opção, o cliente não gostar não quer dizer que está feio, talvez não corresponda ao interesse dele e por isso é preciso saber entender o cliente antes de começar, assunto também para um novo post. CALMA, se você leu até aqui é porque teve calma suficiente para se tornar um profissional, a calma que precisa para cobrar um trabalho atrasado, calma para esperar o cliente aprovar, calma para não receber um feedback de um orçamento enviado, calma suficiente para conseguir ficar 5 horas estudando.  

Não quero de forma alguma me passar por um cara arrogante, todas as palavras foram escritas sobre o que eu penso e vivencio, não tive fontes de inspirações ou qualquer outro texto, o que eu fiz foi abrir meu coração e mente para tentar equilibrar o mercado, estou tentando tirar esse tal ódio que existe nessa disputa de iniciantes e profissionais.

Não SEJA AMADOR, respeite sua profissão, respeite o cliente, mas antes de dar razão a ele, mostre o seu ponto de vista, prove com argumentos e coisas concretas para que a sua razão não se vá com seu respeito e dignidade.

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